domingo, 10 de dezembro de 2017

A Promoção da Igualdade Racial na Educação

No espaço escolar temos uma diversidade de interesses, cada indivíduo traz a sua bagagem e se junta a outro. Interage e diverge com os outros. A Escola é um desafio e o maior desafio é a interação humana.
E, no Brasil, com toda a sua diversidade, ainda é difícil falar sobre assuntos étnico-raciais.
Pratica-se no Brasil uma exclusão pela cor, pela etnia do sujeito, pela atribuição de valor diminuído e depreciativo ao indivíduo portador de determinada cor de pele. Um grupo hegemônico (indiferente do tamanho) define que ele é o modelo. Esse processo de biopoder para fragmentar, segmentar, denomina-se racismo.
O racismo isola a pessoa. Ela fica segregada, sempre singularizada e sozinha. Ele trabalha para desapoderar a pessoa, acabando com a sua auto-estima.
Sabemos que os discursos são corporificados. O corpo também é discursivo. O nosso gestual fala o que não temos coragem. Nossos gestos nossas atitudes preconceituosas nos denunciam quando depositamos certo preconceito naquilo que presenciamos. Nas nossas relações fazemos exclusões quando isolamos uma pessoa como se ela fosse um problema. Para os negros, nos dias de hoje, alguns obstáculos são tão difíceis e, às vezes, até mesmo impossíveis de vencê-los quando discriminados.
O racismo no Brasil é “mascarado”, porém é expresso de diversas formas na vida destes sujeitos. A nossa sociedade é desigual, ela estereotipa e ela exclui.
Na escola, nós somos co-autores da sociedade que estamos criando. Nós, professores, temos o papel de multiplicadores. Atitudes nossas fazem muito e contam muito. Ações que podem ajudar na trajetória do sujeito negro. Por isso, não podemos aceitar discriminação de ordem nenhuma.
A igualdade racial é um tema que precisa ser discutido constantemente no ambiente escolar e em outros setores da sociedade. As escolas precisam defender a pluralidade cultural, investir em projetos e ações para qualificar o corpo docente, desenvolver atividades em que as questões étnicas raciais sejam destacadas. Precisam ter materiais didático-pedagógicos anti-racista, pois sabemos que muitos livros didáticos, revistas e jornais utilizados em sala de aula, apresentam somente pessoas brancas como referências positivas, enquanto que a figura do negro aparece somente para ilustrar a história da escravidão no Brasil Colonial. É preciso ter recursos metodológicos que possam auxiliar os professores para que  os mesmos possam ministrar aulas no intuito de combater o preconceito e a discriminação racial.
É preciso fazer da escola um lugar de acolhimento que promova a valorização da diversidade e o respeito.  O educador é o primeiro ser que deve ser educado. Como uma criança irá respeitar a multiplicidade das diferenças, se o professor carregar em si o preconceito?
A educação deve estimular a total aceitação das diferenças e das singularidades que fazem parte de cada um de nós. Precisamos romper com as barreiras do preconceito, discriminação e do racismo.

Desenvolver o conceito da igualdade racial não é uma tarefa fácil. É tratar de forma desigual os desiguais.

Análise do filme: Como estrelas na Terra toda Criança é Especial

1-    O ambiente escolar no qual Ishaan está inserido é conservador e autoritário, tanto no primeiro como no segundo colégio. Numa das cenas iniciais em sala de aula a professora lhe solicita fazer leitura em voz alta. Ao simular o comportamento de ler emitindo sons não compreensíveis sem hipóteses de correspondência letra-som Ishaan torna-se alvo de chacota para os colegas e de ofensa para a professora, pois é desta maneira que ela interpreta sua atitude. Em nenhum momento do filme os professores e a equipe pedagógica questionam a eficácia de seus métodos de ensino e se estes são os mais adequados para Ishaan, uma vez que ele falha sistematicamente em ler e escrever. A tendência adotada foi a de culpar o garoto por suas dificuldades. Ram, professor de artes, tem um olhar diferenciado para Ishaan tratando-o com muito afeto e sensibilidade, dentro de uma proposta construtivista.

Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos Fernando Becker

Modelos pedagógicos
Existem três diferentes formas de representação da relação ensino/aprendizagem escolar:
- Pedagogia diretiva;
- Pedagogia não-diretiva;
- Pedagogia relacional.
Cada modelo pedagógico é sustentado por uma epistemologia.


Pedagogia diretiva
Professor ensina, aluno aprende; Professor acredita que conhecimento possa ser transmitido; Aluno como uma tabua rasa; O conhecimento se dá à medida que as coisas vão sendo introduzidas pelos professores nas crianças;
Pedagogia diretiva – Modelo Epistemológico Empirismo;
O sujeito é o elemento conhecedor, centro do conhecimento; O objeto é o que o sujeito não é, sendo o meio físico ou social; O conhecimento (conteúdo) e a capacidade de conhecer (estrutura) vem do meio físico e social.


Pedagogia não diretiva
O aluno traz um saber, que precisa ser trazido à consciência, organizado; O professor é um facilitador, interferindo o menos possível; Laisser-faire, ou seja, o aluno aprende por si mesmo.
Pedagogia não-diretiva – Modelo Epistemológico Apriorismo; Interferência do meio físico ou social deve ser reduzida ao mínimo; Fases de desenvolvimento cronologicamente fixas.


Pedagogia Relacional
Para o professor, o aluno construirá algum conhecimento se ele agir e problematizar a sua ação; Duas condições são necessárias para que um conhecimento seja construído: - Que o aluno aja (assimilação); - Que o aluno responda para si mesmo às perturbações (acomodação)
Pedagogia relacional – Modelo Epistemológico Construtivismo; Aprendizagem como construção, ação e tomada de consciência, da coordenação das ações; O conhecimento tem início quando o recém-nascido age, assimilando alguma coisa do meio físico ou social.

Analise as frases abaixo, tentando identificar as concepções pedagógicas, psicológicas e epistemológicas que elas revelam.

1- Prof. Ensino Médio: “[A inteligência] nasce com o homem, eu acho. Ela pode ser desenvolvida, mas ela não pode ser, digamos, adquirida. [...]. Acho que ela nasce, uns com mais, outros com menos; ela pode ser desenvolvida, mas acho que ela já vem, acho que a gente já vem com isso”. (BECKER, F. Epistemologia do professor de matemática. Ed. Vozes)  Pedagogia não-diretiva – Modelo Epistemológico
Apriorismo

1-    Profa. de quarta série do ensino fundamental: “Eu acho que são todos esses estímulos, isso que o professor faz, de mostrar as coisas [...]. Porque, por exemplo, se tu nunca sentiu o cheiro de uma maçã tu não vai conseguir ter dentro de ti a noção do cheiro da maçã, então alguém vai ter que mostrar para ti ou fazer tu sentir o cheirinho da maçã, aí é que tu vai ter isso construído [sic] dentro de ti. Então, eu acho que é isso que nós fazemos; nós mais ou menos mostramos a “maçã”, digamos, assim”. (BECKER, F. Epistemologia do professor de matemática. Ed. Vozes) Pedagogia diretiva – Modelo Epistemológico
Empirismo.


2-     Professor de Ensino Fundamental e Médio: “O professor é transmissor de conhecimento. [...] mas o conhecimento, a experiência, isso não se transmite [...]. Para a escola se tornar realmente um lugar onde se aprenda matemática, tem que passar por uma grande reformulação que vai desde proporcionar as experiências básicas fundamentais... o aluno tem que ter aquele momento da vida dele para vivenciar isso, a escola teria que ser um ambiente de experimentação, praticamente um laboratório o tempo todo.” (BECKER, F. Epistemologia do professor de matemática. Ed. Vozes) Pedagogia relacional – Modelo Epistemológico Construtivismo

3-     Profa de Ensino Fundamental: “Quando tu abraças uma árvore, tens a noção perfeita do que será futuramente um cilindro, aquele tronco, [noção] do que seja uma circunferência; [...] a árvore serrada te dá o contorno de uma esfera... Creio que a criança pode ter muita facilidade para a matemática quando ela tem experiências desse tipo”. (BECKER, F. Epistemologia do professor de matemática. Ed. Vozes) Pedagogia relacional – Modelo Epistemológico Construtivismo
4-    “Isso aí [conhecimento matemático] tem um pouco de tudo, é uma arte, é principalmente talento da pessoa de [...] conectar um fato com outro e descobrir: ‘Bah, mas esses dois somados dão essa consequência aqui’. [...] isso é muito difícil ensinar. Poucas pessoas realmente conseguem. A minha opinião sobre isso, é que tu consegues ensinar se a pessoa tem talento. [...] E querer formar muitos matemáticos de boa qualidade, simplesmente achando que a questão é ensinar para muitas pessoas matemática, não é uma boa política realmente não dá, não adianta muito.” (BECKER, F. Epistemologia do professor de matemática. Ed. Vozes) Pedagogia não-diretiva – Modelo Epistemológico
Apriorismo 

Reflexão sobre trecho do Livro Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro de Edgar Morin


No capítulo, “As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão”, o autor defende a importância de se considerar os inúmeros erros e ilusões que podem ocorrer em qualquer transmissão de informação. Morin destaca os erros mentais, intelectuais e os erros da razão, enfatizando, neste último item, a diferença entre racionalização e racionalidade, considerando a racionalidade a melhor proteção contra o erro e a ilusão. O autor também destaca as cegueiras paradigmáticas e mostra como os paradigmas que controlam a ciência podem desenvolver ilusões. A educação deve sempre estar atenta à identificação da origem de erros, ilusões e cegueiras.

Uma Reflexão Sobre Dialogicidade

O trecho do livro “A Sombra Da Mangueira”, de Paulo Freire, nos traz o conceito de Dialogicidade: Freire acredita que para termos uma formação em que a ética faça parte da sala de aula, entre a relação de educando e educador, é preciso ter uma educação transformadora, conscientizadora e dialógica. O diálogo é essencial e deve ser verdadeiro, transparente e crítico, tanto para quem aprende como para quem ensina, pois isso resultará em um compromisso e reconhecimento com o próximo.

“É que há um diálogo invisível, prévio, em que não necessito de inventar perguntas ou fabricar respostas. Os educadores verdadeiramente democráticos não estão-são dialógicos. Uma de suas tarefas substantivas em nossa sociedade é gestar esse clima dialógico”. (FREIRE,2000, P.81)


O diálogo é encontro respeitoso e solitário entre aqueles que acreditam que o mundo pode ser transformado. Uma educação pautada na dialogicidade, fundada no diálogo, é a que se dá numa relação de humildade, encontro e solidariedade. O diálogo leva os homens e mulheres a serem mais humanos, pois é sempre gerador de esperança. O diálogo produz a conscientização libertadora e transformadora, ou seja, dialógica. O conhecimento não é só histórico, não é só epistemológico, não é só lógico, acima de tudo, é dialógico. É no diálogo que se dá a construção do mundo. Este deve ser cheio de curiosidade e de inquietação.
Freire acredita que o diálogo entre professor e alunos seja um aspecto fundamental para o desenvolvimento da curiosidade epistemológica. A curiosidade, segundo o autor é o que motiva e propicia as bases para a constituição do conhecimento.
Assim, o diálogo torna-se um ponto fundamental do trabalho com a curiosidade, na liberdade para perguntas e respostas que viabilizem o processo de conhecimento.

Aprender é um grande desafio da vida e para aprender cada vez mais temos que ser curiosos e nos libertarmos da prisão dos conhecimentos acumulados que nos acomodam.

REFERÊNCIAS:
FREIRE, Paulo. À Sombra Desta Mangueira. Editora Olho d’ Água. São Paulo, Fevereiro, 2000.

Refletindo sobre Filosofia e Ética

 De acordo com a etimologia a palavra ética deriva do grego ethos, e significa caráter, costume ou modo de ser.
A ética é uma questão de autonomia (aquilo que vem de dentro). É a regra interna que tem de ser internalizada, e não apenas obedecida.
O vídeo de Marcia Tiburi nos remete a uma reflexão do que é ética, ela é que norteia o indivíduo sobre o que e certo ou errado, de como se relacionar com o outro, ter empatia, respeitar, praticar nas relações diárias, na família, escola, sociedade,e nós como educadores temos um papel fundamental,  quando mediamos  situações em que o nosso aluno precise compreender a importância de ser ético na resolução de conflito entre eles ou  em qualquer outra situação. Devemos reforçar que ao praticarmos a ética estamos construindo uma sociedade melhor.

Refletindo sobre O impacto das redes sociais na vida das pessoas"

A evolução tecnológica alterou profundamente a forma como as pessoas se comunicam e acessam o conhecimento.
De acordo com o historiador e filósofo Leandro Karnal, em uma sociedade cada vez mais digital, é preciso ser curioso, construir, desconstruir e se reinventar.
Com o advento dos smartphones e das redes sociais, podemos afirmar que a internet está modificando a maneira como as pessoas se relacionam, aprendem e se comunicam. A comunicação passou a se caracterizar cada vez mais pela velocidade, impessoalidade e sínteses. Percebemos mais pessoas tendo acesso à informações, porém é mais difícil exercer o controle, o domínio da informação. Para o bem e para o mal, as pessoas se informam mais.É evidente , também que essa democratização da informação traz um custo, o de uma difusão sem grande senso crítico.
Relacionando a entrevista de Leandro Karnal com os textos de Hühne, podemos considerar que o ato de estudar é um ato lógico que exige consciência e domínio dos processos intelectuais. Exige uma posição crítica e uma postura reflexiva. É um trabalho árduo que requer concentração, disciplina, compreensão e necessidade de prática. O ato de estudar é uma atitude frente ao mundo, na qual o estudante assume o papel de sujeito reflexivo e de atitude face ao saber.
Assim compreendo que não basta a presença de novas tecnologias de informação e comunicação é preciso que as pessoas saibam utilizá-las em suas relações interpessoais, na produção de informações, na construção de novos conhecimentos e no processo de aprendizagem.

Diante dessa realidade que aí está posta, novas formas de se ensinar e aprender precisam ser pensadas e valorizadas.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Sujeitos com Altas Habilidades

Ao ler e estudar sobre os sujeitos com altas habilidades, penso no papel do professor, que deve ser o de estimular o pensamento, a reflexão, permitir que o aluno demonstre suas opiniões, que desenvolva um senso crítico. O professor deve ter a consciência de que irá ensinar, mas também irá aprender com seus alunos, posto que a figura do professor como o “sabe-tudo” já está mais que ultrapassada. É preciso que o professor seja um mediador não somente do conhecimento, mas também da compreensão de si próprio, de seus pontos fracos e seus pontos fortes, que seja mais um orientador do que um transmissor de conhecimentos, que ajude este aluno a integrar-se ao grupo e assim facilitar-lhe a sua integração à sociedade. 

Sujeitos com Transtorno Globais de Desenvolvimento

Ao assistir aos vídeos e ler o texto, tive um entendimento muito significativo no que se refere aos Transtornos Globais do Desenvolvimento - TGD, nele pude compreender que, nós professores temos uma tarefa importante em relação aos alunos, é necessário ter um olhar atento, refletindo e repensando a todo o momento nossa prática pedagógica de maneira inclusiva, contemplando a todos em suas necessidades. Além disso, é importante estabelecer uma parceria com demais profissionais da área, proporcionando um trabalho em conjunto, que contribua para o desenvolvimento do educando

Sujeitos com Deficiência

O vídeo da professora e médica Izabel Maior me fez refletir sobre o ser deficiente e a inclusão. Mais uma vez, tive a certeza de que tudo anda muito devagar quando o assunto bate na cidadania, no direito de ir e vir . Mais uma vez, me dei conta de que é preciso atenção para não deixar o padrão de normalidade e o modelo de perfeição impostos pela sociedade afixarem na gente e nos fazer, de uma forma ou de outra, nutrir a doença de uma sociedade que não vê o outro.
Destaco como sendo de grande importância as palavras da médica que diz: " não é o limite individual que determina a deficiência, mas sim as barreiras existentes no meio."


Na minha sala de aula tenho um aluno com deficiência auditiva, o que acarretava numa dificuldade em se comunicar com os demais colegas, porém com o auxílio de uma fonoaudióloga ao trabalho paralelo ao meu, conseguimos promover uma integração e avanços importantes no seu processo de aprendizagem. 

Inclusão Sem Laudo

A leitura do texto que traz as informações da Nota Técnica 04/2014 do MEC/SECADI/DPEE, que faz cair a exigência de um laudo médico para incluir uma criança com dificuldades na escola regular, por considerar que essa exigência restringe o direito universal de acesso à escola, nos faz refletir sobre a importância da educação inclusiva.
Embora com tantos avanços em relação à educação inclusiva, por meio de leis, decretos ou resoluções, ainda há uma caminhada longa a ser percorrida para que as pessoas com deficiência sejam realmente incluídas no processo educativo e social.
Ler e falar sobre educação inclusiva pode ser fácil, porém torná-la realidade é bem mais difícil e complicado. É preciso ter claro que essa situação não se resolve rapidamente, tendo em vista que vivemos numa sociedade que foi construída historicamente sob a regência da desigualdade.
Felizmente o MEC fez valer no Brasil as conquistas sociais de um movimento global de inclusão de pessoas historicamente excluídas

Educação Inclusiva


Há algum tempo as pessoas com deficiência vem tentando formar um elo com a sociedade e busca de várias formas se incluírem, mesmo sabendo que na coletividade apresenta um modelo extremamente exclusivista. Vem tentando ganhar espaço, muitas vezes há avanços e em outros momentos parece retroceder.
A inclusão foi avançando no Brasil a partir do momento em que o deficiente foi encarado e tratado como sendo também cidadão deste país, e com isso possuidor de direitos como os demais. Partindo desse princípio é proposto que a escola seja fortalecida de modo que possa receber esses alunos em classes regulares. (BRASIL, 1990). Da mesma forma o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) também traz informações importantes relativas aos princípios da inclusão.
Atendimento educacional especializado, acessibilidade, entre outros termos foram surgindo e em pouco tempo tornaram-se comuns aos meios por onde circulam assuntos pertinentes a educação. Essas palavras vêm caracterizando uma nova escola. (BRASIL, 2003)
Embora com tantos avanços em relação à educação inclusiva, por meio de leis, decretos ou resoluções, ainda há uma caminhada longa a ser percorrida para que as pessoas com deficiência sejam realmente incluídas no processo educativo e social.
É possível perceber que a maioria das crianças com deficiência enfrentam muitas barreiras em relação à educação inclusiva. A busca por atendimento e terapia para auxiliar em seu desenvolvimento também é outro fator que a família da criança com deficiência encontra, seja qual for o tipo de deficiência que apresente.  Mantoan (2003) defende que a inclusão será real somente depois que mudanças na área educacional acontecerem.
Ao refletir sobre isso podemos entender que a indiferença ainda ocupa um lugar de destaque na sociedade atualmente. A inclusão de pessoas com deficiência ainda caminha a passos lentos, embora com força de lei, há diferentes reações e desperta dúvidas e receios. Decorre deste pensamento que: “o respeito, a autonomia e a dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder aos outros.” (FREIRE, 2002, p. 66)

REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº. 8.069, de 13 de Julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília: Congresso Nacional, 13 jul.1990.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Brasília: MEC/SEESP, 2003.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 29ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? SãoPaulo: Moderna, 2003.

Sugestão de Literatura Infantil para trabalhar as questões étnico raciais e diversidade

LIVRO: EVA

Margarida Botelho

Apresentar o livro através do computador com acesso à internet e projetor multimídia.

 O presente trabalho tem como objeto de estudo o livro Eva, da autora Margarida Botelho. A autora nasceu em Portugal, em 1979. Licenciada em arquitetura e Mestre em SequentialDesing/Illustration pela Universidade de Brighton, desde 2005 publica livros para o público infanto-juvenil. Como escritora e ilustradora tem seis livros publicados em Portugal: “Os Lugares de Maria", "A Casa da Árvore", "A Coleção", "As Cozinheiras de Livros", "Eva" e "Yara".
 É importante mencionar que a obra Eva foi publicada em 2012 em Portugal e no Brasil, e é parte de um projeto artístico de intervenção comunitária, se baseia em histórias pessoais, originárias de países de língua portuguesa e outros. É uma história documental, dividida em duas culturas, uma de Portugal e outra de Moçambique. São duas meninas, chamadas “Eva” que são diferentes e ao mesmo tempo iguais, a história começa em lados opostos do livro rumo ao encontro, no centro.
Neste trabalho vamos abordar a Eva de Moçambique, é importante ressaltar como sua história pessoal se mescla com a história do país. A autora viajou para Moçambique e viveu por lá, por quase um ano vivendo em um campo de refugiados, vivendo da maneira como eles vivem, para ela, a melhor forma de se comunicar era através de histórias, diários de cada criança. Sendo assim, Eva foi produzida a partir de desenhos, escritos, relatos e vivências dos próprios moradores, não só das crianças, mas de adultos também.
Eva, conta a história de duas meninas que moram em lugares diferentes, uma no continente africano (MOÇAMBIQUE) e outra na Europa (PORTUGAL) e retrata as diferenças sócio-culturais através das experiências vividas por crianças. As histórias começam em lados opostos do livro, e cada Eva tem uma forma diferente de agir em seu cotidiano, e cabe ao leitor notar as diferenças e semelhanças no modo de agir de cada uma delas. No centro do livro temos o tão esperado encontro dessas Evas, que se dá através da televisão, e somos todos convidados através do jogo dos encontros, fazer parte da história.
O livro Eva mostra as diferenças sócio-culturais que existem entre o mundo ocidental e africano, através das experiências das crianças, enfocando a diversidade e pluralidade existentes entre os continentes. E é inevitável o encontro das duas Evas, como se fosse um espelho, eu me vejo na outra pessoa, a curiosidade faz parte das crianças e nessa curiosidade que o encontro acontece, no centro do livro.

O leitor tem a oportunidade de perceber as coincidências e estabelecer o contraste das duas crianças, vendo que as histórias deságuam uma na outra, como um encontro.


Deficiência Física e o Transporte Coletivo Urbano

Toda pessoa possui direitos e deveres como cidadão. Porém, para que estes direitos possam ser exercidos, é necessário que se respeitem os princípios de independência, autonomia e dignidade, de forma coletiva e individual. Há, entretanto, uma parcela da população que é excluída, principalmente, pela dificuldade de locomoção e movimentação pela cidade e demais ambientes de uso comum. São as pessoas com deficiências e/ou restrição de mobilidade.
De acordo com o decreto federal nº 5.296/ 2004, pessoa com deficiência é aquela que possui limitação ou incapacidade para o desempenho de atividade e se enquadra nas seguintes categorias de: deficiência física, mental, sensorial, orgânica e múltipla. O mesmo decreto define ainda que pessoa com restrição de mobilidade é aquela que, não se enquadrando no conceito de pessoa com deficiência, tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção.
De acordo com a Organização das Nações Unidas - ONU, a equiparação de oportunidades em uma sociedade é o processo mediante o qual o sistema geral da sociedade, tal como o meio físico e o cultural, a vivência e o transporte, os serviços sociais e sanitários, as oportunidades de trabalho, a vida cultural e social, incluídas as instalações desportivas e de lazer se faz acessível a todos (Mariani, 2003).
Na Lei Federal 10.048/00 está expresso que todo veículo para transporte público, a ser fabricado no Brasil, deve ser planejado de forma a facilitar o acesso das pessoas com dificuldades de mobilidade, o que implica no Poder Público só poder aceitar, quando da renovação da frota, veículos livres de barreiras, de forma a permitir o fácil embarque e desembarque das pessoas, (Prado, 2003).
Apesar das iniciativas citadas anteriormente, na maioria dos municípios brasileiros, a pessoa com deficiência habitante de grandes cidades e de baixa renda, usuário do sistema público de transporte de passageiros, sofre diariamente as conseqüências da baixa acessibilidade, seja no deslocamento de casa ao ponto de ônibus, dentro do próprio veículo, ou no deslocamento do ponto de ônibus ao destino de viagens.
O direito ao transporte, apesar de ser elemento indispensável ao trabalho, tem vida própria, enquanto conteúdo do direito à integração social das pessoas com deficiência. O transporte não é apenas utilizado para o deslocamento e para ao trabalho, mas ao lazer, às atividades de tratamento médico, dentre outros, a garantia da autonomia e independência, dessa forma a liberdade de ir e vir ao qualquer lugar que se deseje e a qualquer hora. Esse direito não se materializa só pela colocação de ônibus adaptados à disposição das pessoas com deficiência, mas o acesso ao transporte público e ao direito intitulado como primeiro: o ir e vir.
Em sentido mais amplo, a acessibilidade é entendida como equiparação das oportunidades de acesso ao que a vida oferece: estudo, lazer, bem estar social e econômico, enfim, `a realização de objetivos que são, na verdade direitos universais. (Fernandes, 2003; p. 11)


Transportar passageiros não se resume em levar pessoas de um lugar para outro com rapidez sem que haja preocupação com a segurança, autonomia e facilidade de acesso.
O transporte urbano por ônibus apresenta-se para muitos usuários como um exercício de transposição de barreiras, quer seja pelo próprio desenho dos veículos que apresentam formas de acesso por meio de degraus de grande altura, o que dificulta o acesso das pessoas com mobilidade reduzida, quer seja pela disposição interna de corrimãos e assentos.
O planejamento dos transportes deve, dentro dos aspectos sociológicos, nortear seus objetivos para garantir a autonomia de todos os usuários do sistema. Tais objetivos devem ser entendidos como a possibilidade de uso de qualquer modo por qualquer pessoa, em especial aquela que possui algum tipo de deficiência, sem que, para isso, necessite de assistência diferenciada que provoque insegurança e/ou constrangimentos.


Referências
Brasil, Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos (2004) Decreto Federal nº 5.296, Brasília, DF.
Brasil, Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos (2000) Lei Federal nº 10.048, Brasília, DF.
Brasil, Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos (2000) Lei Federal nº 10.098, Brasília, DF.
FERNANDES, Julieta Cristina. A acessibilidade do Idoso em Uberlândia: desafios ao pensamento da cidade inclusiva. Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Uberlância, 2003.


Prado, A R. de A. (2003) Acessibilidade e Desenho Universal. Anais do III Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia– Gerp, Santos, SP.