No espaço escolar temos uma
diversidade de interesses, cada indivíduo traz a sua bagagem e se junta a
outro. Interage e diverge com os outros. A Escola é um desafio e o maior
desafio é a interação humana.
E, no Brasil, com toda a sua
diversidade, ainda é difícil falar sobre assuntos étnico-raciais.
Pratica-se no Brasil uma
exclusão pela cor, pela etnia do sujeito, pela atribuição de valor diminuído e
depreciativo ao indivíduo portador de determinada cor de pele. Um grupo
hegemônico (indiferente do tamanho) define que ele é o modelo. Esse processo de
biopoder para fragmentar, segmentar, denomina-se racismo.
O racismo isola a pessoa.
Ela fica segregada, sempre singularizada e sozinha. Ele trabalha para
desapoderar a pessoa, acabando com a sua auto-estima.
Sabemos que os discursos são
corporificados. O corpo também é discursivo. O nosso gestual fala o que não
temos coragem. Nossos gestos nossas atitudes preconceituosas nos denunciam quando
depositamos certo preconceito naquilo que presenciamos. Nas nossas relações
fazemos exclusões quando isolamos uma pessoa como se ela fosse um problema.
Para os negros, nos dias de hoje, alguns obstáculos são tão difíceis e, às
vezes, até mesmo impossíveis de vencê-los quando discriminados.
O racismo no Brasil é
“mascarado”, porém é expresso de diversas formas na vida destes sujeitos. A
nossa sociedade é desigual, ela estereotipa e ela exclui.
Na escola, nós somos
co-autores da sociedade que estamos criando. Nós, professores, temos o papel de
multiplicadores. Atitudes nossas fazem muito e contam muito. Ações que podem
ajudar na trajetória do sujeito negro. Por isso, não podemos aceitar
discriminação de ordem nenhuma.
A igualdade racial é um tema
que precisa ser discutido constantemente no ambiente escolar e em outros
setores da sociedade. As escolas precisam defender a pluralidade cultural,
investir em projetos e ações para qualificar o corpo docente, desenvolver
atividades em que as questões étnicas raciais sejam destacadas. Precisam ter
materiais didático-pedagógicos anti-racista, pois sabemos que muitos livros
didáticos, revistas e jornais utilizados em sala de aula, apresentam somente
pessoas brancas como referências positivas, enquanto que a figura do negro
aparece somente para ilustrar a história da escravidão no Brasil Colonial. É
preciso ter recursos metodológicos que possam auxiliar os professores para que os mesmos possam ministrar aulas no intuito de
combater o preconceito e a discriminação racial.
É preciso fazer da escola um
lugar de acolhimento que promova a valorização da diversidade e o
respeito. O educador é o primeiro ser
que deve ser educado. Como uma criança irá respeitar a multiplicidade das diferenças,
se o professor carregar em si o preconceito?
A educação deve estimular a
total aceitação das diferenças e das singularidades que fazem parte de cada um
de nós. Precisamos romper com as barreiras do preconceito, discriminação e do
racismo.
Desenvolver o conceito da
igualdade racial não é uma tarefa fácil. É tratar de forma desigual os
desiguais.
